:::História - Como tudo começou:::

Marcio, conhecido e chamado carinhosamente pelos amigos de Negreti (apelido dado por Chico Lage*) ou Marcinho... Nascido em 06 de maio de 1978, ironia do destino nasci no mesmo dia em que minha mãe fazia aniversário, sou o terceiro filho homem de Jorge e Cleusa, que queriam muito uma menina e que se chamaria Silmara, porém, ao saber que era mais um homem Jorge disse desapantado: - Homem? Coloque qualquer nome, pode ser "Bastião"!!! Imaginem, não seria nem Sebastião, era Bastião mesmo... meu apelido seria Tiãozinho né? (rindo muito)... agora dou risada, mas já fiquei muito deprimido por isso, sabiam? Fui salvo por Dona Ercília (minha avó que Deus a tenha)... sugeriu Marcio e assim ficou...

Meus contatos com o samba vêm desde criança, tenho uma família muito grande, então sempre tivemos muitas festas (todas as possíveis), meus familiares faziam as rodas, cantavam e tocavam, então conhecia as músicas, mas não me interessava aprender a tocar. Viajávamos bastante e lembro-me também com saudade das músicas Senhora Rezadeira, Coisinha do Pai e Pedi ao Céu gravadas pela Beth (num disco cujo nome não me recordo).

Tenho um amigo que morava no edíficio onde moro, o Piru (Alexandre Siqueira), a quem chamo de professor, mas ele não gosta muito não... me deu uns toques de pandeiro e sempre que possível, o acompanhava nos sambas pela Vila das Mercês afora. Juntei com alguns amigos de São João Clímaco em 1991 e formei um grupo, era o Pura Simplicidade (Adrianinho, Gué, André Coitinho e Xandão). Todos aprendendo a tocar, então o grupo não era muito bom, o problema maior é que além de tocar, pediram-me que também cantasse. Convivíamos intensamente e aprendemos muito um com o outro, durou quase 1 ano e meio e acabou... Nunca tivemos harmonia (cavaco e violão) sempre alguém fazia o free-lance conosco (Robson Batuta, Alexandre Piru Siqueira ou Wilton Coelho). Infelizmente as nossas idéias não eram as mesmas e isso contribuiu muito pro fim do grupo... Mas valeu muito a pena!

Em meados de 1993, recebi um convite de um amigo para dar uma força, era um free-lance, eu ia apenas cobrir um dos integrantes que não poderia comparecer, íamos tocar no Black Power do Ipiranga, mas deu tudo errado, saiu uma discussão entre eles e eu que não tinha nada a ver com peixe presenciei o fato. Essa discussão resultou na saída do vocalista do grupo, recebi o convite pra fazer um teste e fui aprovado... Juntei-me a mais 6 rapazes (Black, Chicão, Paulinho Pereira, Paulinho Ramos, Robinho e Wellington). Crescemos juntos na Vila das Mercês e começamos a aparecer na periferia de São Paulo. Precisamente no bairro do Ipiranga e correram boatos do tipo que anunciam a vinda de alguma coisa nova. Era o Grupo Sem Local (nome dado por Wellington, devido ao fato de não possuir lugar fixo para ensaiar) e depois batizado por Paulinho Pereira de Feitiço no Ar (pelo carisma que conseguiam transmitir àqueles que os viam tocando), na real, acho por foi por falta de opção mesmo e por se tratar de um nome melhor do que Sem Local. 

Éramos jovens, com idade variando entre 13 e 16 anos, fazíamos um som com fortes influências dos grandes mestres do samba como Candeia, Cartola, Monarco, Paulinho da viola, Martinho da Vila, Bezerra da Silva, Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Almir Guineto, Jorge Aragão, Fundo de Quintal entre outros, irradiando alegria e o mais interessante com incrível versatilidade, pois fazia parte da formação musical de cada um dos integrantes do grupo, ritmos como o Funk, o Soul Music, o R&B, a Salsa, o Rock, o RAP e a MPB. 

Ainda jovens, os shows haviam mudado bastante, era preciso refinar e adicionar um tempero especial ao nosso som para agradar aos mais exigentes paladares, mas a identidade do grupo era fundamentalmente o samba (misturada com todas as influências da música negra, absorvidas por nós em nossas andanças nos bailes e festas que curtíamos). Esta foi a minha escola da vida, porque como sempre estávamos juntos, era como um relacionamento, cheio de troca de experiência, de conhecimento pessoal, mas todo relacionamento têm problemas. Havia falta de empenho de alguns (uns faziam mais pelo grupo que os demais), isso gerava descontentamento, eu particularmente insistia que pra coisas darem certo tínhamos que ter 2 palavras como premissa básica: "postura e comprometimento".

Um grupo é formado por várias pessoas, às vezes alguns tem necessidades urgentes, outros tem outras perspectiva daquilo que eu encarava como um trabalho, a urgência não era possível suprir devido a estrutura que tínhamos, agora ao perceber que outras coisas eram mais importante, Wellington, por exemplo, optou por deixar de tocar, pois ele sabia que estaria faltando a compromissos, coisa que algumas pessoas (entre nós) não o fizeram. Pensando bem, admiro muito o Wellington pela postura para conosco!!!!

Após 5 anos juntos, finda uma união que até então parecia perfeita, após a gravação do nosso 1º CD Demo, os integrantes decidem tomar novos rumos, uns de sopetão, outros por motivos particulares, enfim... Penso que precisei passar por isso, até porque os tempos são outros, atualmente toco no Grupo Fino Trato e é uma nova história... mas aí é ÔTUS 500 (risos). A propósito, já que está aqui visite a nossa Agenda de Shows... E claro, compareça ou ajude-nos divulgando! A gente vê nos Pagodes da vida.... A você que me visitou e perdeu seu precioso tempo lendo minha história muita força, fé e raíz.

* Ex morador do CBI (Condomínio Bosque da Imperatriz, ou Prédios Brancos como era conhecido), local onde moro até a presente data...

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